quarta-feira, 30 de maio de 2012

Juntos, mesmo sendo um

-Olá sol.
-Olá lua.
-O que faz ai tão solitário?
-Vivo a ser luz da vida, e você majestosa lua,o que faz ai roubando meu brilho?
-Quem? Eu? Eu não roubo seu brilho.
-Não que me roube o brilho, mas teu charme reflete um pouco do meu eu em ti.
-Gosto de iluminar também, sabia sol?
-Claro que sim, já me disseram por ai sobre sua maravilha, sobre suas fases de amor, outras de resguardo na escuridão. Você se sente só lua?
-Sim, somos todos só no universo.
-Você acha mesmo?
-Acho, mas apesar disso sinto ser iluminada por você e isso me faz também sentir ser dois.
-Também me sinto assim quando meus raios revelam a sua beleza monstruosa, é como se eu te tocasse com meu calor e com isso você vibrasse ao perceber o calafrio da minha presença, mesmo ausente.
-Sol, por que nos escondemos um do outro?
-Querida, como eu poderia saber o porque dessas coisas? Descobrir isso é igual descobrir o amor, é quase impossível. Talvez estejamos só para antes aprendermos a lidar com nossas dificuldades.
-Seu calor me aquece, como poderiam haver dificuldades?
-Porém meu brilho apagaria o teu, se me aproximasse de mais você deixaria de existir.
-Não quero deixar de existir. Quero existir ao seu lado.
-Eu também.
-Sabe sol, todos os dias ao amanhecer e ao anoitecer, espio sua chegada e sua partida. As cores com as quais você colore o céu me fascinam tanto! Como pode ser tão lindo?
-É mais lindo quando nos é permitido uma visão do outro. É perfeito quando existimos juntos na vinda e na ida.
-Nossas cores juntas casam com a nostalgia. A nostalgia é um dos meus sentimentos favoritos.
-Sou feito todo de nostalgia, sou arregaçado disso tudo.
-Mas sol, sempre quis lhe perguntar, por que não nos beijamos quando raramente ficamos muito próximos?
-Como não nos beijamos lua? Você não sente? Estou a te beijar eternamente, até o dia que não houver mais luz e todo o meu corpo se esfriar.
-Me perdoe sol. Como fui ingênua! Mas é claro que você me beija, e eu jamais poderia me esquecer disso, porque é a partir do teu beijo que meu brilho resplandece.
-Lua, sempre quis te contar minha essência.
-Conte-me sol.
-Eu vivo a iluminar a vida, a guiá-la aos arredores onde meu brilho chega. É tanta beleza! Mas faço tudo isso  por você, para ter pra quem exibir essa imensidão de força e beleza.
-Sol...
-Diga lua.
-Será que um dia deixaremos de existir?
-Não sei lua...
...
...
-Sol...
-Oi minha querida.
-Obrigada por me amar e me fazer sentir cuidada mesmo sendo solitária por mim mesma.
-Obrigado por receber meu amor, por me ajudar a conter meu brilho refletindo um pouco de mim em ti. Juntos podemos sentir e ser dois, mesmo sendo um.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Meu jardim secreto

Em mim está o reflexo do amanhã. Um amanhã cego de qualquer notícia minha, ausente de qualquer presença que possa mudar meu destino, um amanhã sozinho repleto de tudo ou nada.
Em mim se encontra as raízes prontas para espalharem a energia ardente a ponto de bala, em mim está o passado que regurgita todas as respostas, guiando-me ao meu eu.
Em mim existe um jardim secreto, existe esperança de novas vindas, existem ares de solitários ao amanhecer e lágrimas que formam meu pequeno lago, um lago refletindo minha imagem perdida no amanhã. Meu jardim é todo regido pelas fases da vida, e quando me perco fico ressecado, seco.
A alegria move minhas flores, o verde e tudo que há dentro de mim. Meu sorriso brilha enquanto chove lá fora. Meu jardim secreto é lindo.
''Se você olhar do jeito certo, verá que o mundo todo é um jardim - O Jardim Secreto''

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Enquanto o fim se propaga no começo

Feliz sou, sendo volátil, sendo sensível ao amargo, ao ferir, ao abrir e descobrir.
Feliz sou, abandonado, aberto, fugido.
A questão é descobrir a si mesmo para se descobrir nos outros. Encontrar um outro eu, além de mim, nas razões eternas de um outro alguém.
Feliz sou porque preciso ser, porque a tristeza é uma opção, na partida, na chegada e no meio.
Como já quis passar na frente do tempo, na cortina que esconde a alma, as verdades representando minha essência vital.
Meu caráter se joga e feliz eu sou, na dor de ser dois em um só, e no conforto de chegar até a mim no escuro que me esconde.
Feliz sou porque não há outro rumo, porque necessito ser feliz enquanto vivo, enquanto se é carne, enquanto me perco em mim. Feliz eu sou na mesa do café, no caminhar sozinho, no fim do começo, e no começo do fim.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Meu Romance Eterno

Engraçado como as vezes necessito escrever e me entregar perdidamente aos meus pensamentos. Vou na fuga escondido nos meus reflexos explodindo a flor da pele. É como me deitar lentamente em cima de mim mesmo e adormecer na minha solidão, não na solidão triste, talvez seja um pouco, mas sim a solidão de si mesmo, estar só porém com meu reflexo ali, estampado, me olhando e me analisando. O diálogo entre eu e esse amor refletido no espelho da minha essência é justamente o essencial para me manter estável. Mas como poderia imaginar que eu me encontrava tão longe de mim durante minha vida toda? Tenho que me perder a todo instante pra poder me encontrar de novo pra não perder a graça...
Durante minha vida toda estive a mercê do mundo estranho em que vivia sem perceber minha grande realidade: me encontrar e me amar.
Meu amor me move por dentro dos questionamentos ardentes, ferindo minha consciência que se esfarinha na imensidão do universo, me acorrenta no escuro do desconhecido e me liberta com um simples sopro: acorda pra vida. Esse amor imenso que contenho dentro de mim, me explode todos os dias, todos os momentos em que me perco dentro de mim, novamente, na beira de cair de cima do meu eu e acordar renascido do meu reflexo carente dos meus sentimentos, que vem me buscar a qualquer suspiro necessário de renovação.
Nosso encontro foi incontrolável, enxergar ambos sendo um, dentro de um corpo, dentro de um pequeno olhar que existe eternamente duas vezes, dentro de mim, e uma vez no meu reflexo, me despregou da carne e me fez sentir a vida em pleno movimento sagrado, sem termos. Me fez sentir ser vida apenas. Apesar de sentir medo de mim mesmo, de me enxergar dentro do meu ser, consigo sentir o amor de outras pessoas, sou capaz de encostar em mim mesmo e me amar.
Esse amor todo que guardo me faz ser o que eu quiser, me desmancha no infinito e me derrete sobre minhas realidades, em certos momentos, fúteis, em outros momento são minha única razão pra acreditar em mim e nos meus sentimentos, nas minhas ilusões precoces.
O que de fato vem me atormentar nesse amor todo é que um dia terá fim, deixarei de ser dois e serei apenas a parte vida plena, serei apenas o ciclo no qual meu eu externo se expõe durante essa fase carnal. Meu amor terá fim e serei eternamente solidão na vida. Deixarei de ser consciência, e serei apenas força,  mas uma força maravilhosa que me rege. Serei indeterminado no término do meu romance comigo mesmo, serei mudo, surdo e calado.
Mas retenho essa ideia no final de tudo, guardada abaixo de mim mesmo, e sigo tranquilo pelo único motivo que me move: serei o tudo ou nada, serei vida sem ser, serei impulso e movimento. Serei a vida em plena força.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Adeus, parte morta

Se a vida me contorna, dentro dela estou
mas conter vida é ilusão que alguém criou
É mandinga pra alienados suportarem
e seguirem achando que consciência prossegue a morte
Existir por sí só é sacrifício
é renascer pra vida, é difícil
Rebato no muro da verdade
Apanho e lavo a cara da mentira
Engulo o vão que me separa de mim mesmo
adeus alienação.
Hoje em diante me retenho a vida contida
vida plena não é coisa da consciência
é coisa de dormir eternamente no manto do tempo
e terminar no nunca.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Ao interior

Há um ano atrás eu não era assim. Há um ano atrás talvez eu não estaria escrevendo essa carta de desabafo. Nós dois já estamos fartos de não saber de nada, aliás,  eu estou farto de não saber de nada. Estou engolindo tudo com um gole de respeito a você porque ainda não te conheço direito, mas sei onde está guardadas todas as respostas, e é em ti. Como se já não bastasse arregaçar a mente pra bem  longe da alienação, soquei minha cara recalcada de mentiras direto na parede da verdade e acordei pra vida, ou morri pra viver, sei lá qual o termo certo, mas eu te amo! E não há nada que eu possa fazer durante toda minha vida, a não ser viver e te conhecer,dia por dia. 
Vou soprar minhas perguntas e ouvir nos nossos ecos a resposta, dentro de mim. 
Pois bem, há um ano atrás não havíamos nos conhecido tão profundamente quanto agora, mas percebo que meu destino guiado por você é mais incerto do que imaginei. Há mais ou menos um ano atrás, eu era cru. Sozinho de mim, não me reconhecia, não havia te encontrado ainda.
O objetivo de aloprar tudo em palavras é porque absorvo tudo ao redor, interpreto e preciso jorrar como um rio represado. Meus pensamentos fluem e vão até o nada, ou o tudo. Ultimamente ando muito na presença do tudo ou nada, do vazio que me completa, e do tudo que me distancia cada vez mais de mim mesmo. Assim num sentido bem irônico criado na minha cabeça oca, bem contraditório enroscando essa linha do tempo dentro dos meus versos mais íntimos, me movendo, movendo tudo ao redor.
Minha carta precisa guardar todas as minhas pontes do passado ao presente, todas as minhas construções de amadurecimento, as minhas reflexões, tudo empacotado numa única razão. Ou que se desfaça no nada onde não há razão alguma.
Mas sou carne, sou movimento, sou o tocável, não sou imaginação apenas. Eu sinto, e isso me move, me abraça em torno de você e me apaixono perdidamente pelos nossos jogos e encontros. Adoro te encontrar, estar íntimo de nós mesmos nesse universo onde tudo não é nada, e eu sou você.
Ao meu maior amor, ao meu consciente que me releva ao mais alto de mim.
Ao meu eu interno.
Te Amo
Rangel Goulart Cabral 

Atravessando limites

Como se um dia meus passos ficassem distantes, próximo a despencarem de dentro de mim.
A estrada assusta com as descobertas absurdas, mas de vez em quando alguns diversos como me vejo surgem, penetram com palavras e mudam a rota.
Tem dias nos quais minha vontade é de sumir, que quase sumo até de mim mesmo. Quero cama, vontade de ficar sozinho e ao mesmo tempo medo do pensar enquanto se está só. E quando me esbarro com alguém, é como se eu retornasse de onde estava, há eternos quilômetros de distância de lugar nenhum.

domingo, 20 de maio de 2012

Retocando a consciência

Talvez seja o universo o dono do meu maior medo. 
Um medo além do medo, quando reflito no universo e no poder do infinito, percorre minhas entranhas e me desintegra em partes imensuráveis. Quando meus olhos se perdem nas cores do céu, meu interior se enrosca na imensidão do universo,e  consigo entrar num fluxo incontrolável de pensamentos, de hipóteses que não cabem dentro de mim, da minha consciência. E é disso que sinto medo...medo do desconhecido, do que pode ser o nada, ou o tudo, e o meu total respeito e afeto de alguma maneira me é roubado por esse desconhecido poderoso,maravilhoso...


Talvez o universo seja o dono do meu maior  


medo...talvez não seja medo...talvez seja a vida me tocando.

A Pastelaria

Naquele frio, as narinas não podiam captar os cheiros direito, mas o tintilar que os dois faziam com os talheres permite perceber que o almoço estava bom. Arroz, feijão, salada, bife de boi, inhame e uma farofa pronta. A cozinha tinha um ar caseiro, iluminada por uma janela ao lado da mesa, outra na lavanderia e duas na sala, a mesa estava posta num dos cantos da cozinha, o fogão com 3 panelas em cima, uma travessa de metal com salada, e uma vasilha com a farofa. Um forro desenhado forrava a mesa, com uma jarra de suco de laranja de saquinho e dois copos americanos cheios.
-Você anda bem no serviço?
-Ah! Ontem me mandaram fazer a mesma merda de sempre, tive que trocar o galão de água no final do expediente...
-Hum, nada de diferente?
Ela mastigava e olhava pra ele como se esperasse alguma resposta, mesmo sabendo que a monotonia sentava-se junto àquela mesa na hora do almoço, acompanhando os dois naquela conversa monótona de todos os dias
-Não! A mesma ladainha de sempre, o chefe reclamando e falando da vida dele de burguês, de suas viagens para fora do Brasil onde ele enche a pança com comidas exóticas, compra aqueles charutos fedorentos e fuma a tarde inteira na sala dele. A mulher dele deve ter a orelha caída de tanto que ele fala mau dela...
Parecendo fingir interesse a mulher perguntou, juntando a comida com a faca:
-Da esposa? Mas o que ele fala da esposa?
-Reclama! Já ouvi ele falar coisas boas, mas isso quando ele está de bom humor, quando vai algum cliente na loja realizar outro contrato, pelo contrário ele parece jogar todos os defeitos dela em cima de mim e dos outros empregados... Hoje de manhã ele disse ao Roberto que os papéis dele precisavam estar prontos  antes do almoço,como se fossem poucos papéis, e reclamou que já bastava ter que aturar a mulher dele, sonsa do jeito que é...
-Sonsa? Nossa! Quantos anos esse cara tem?
-Uns 50, por ai...
-Tinha que ser, com certeza é um daqueles velhos gays rabugentos. Não se assumiu e agora fica ai, mal amado, descontando as coisas na mulher...coitada.
-Coitada né? Coitada?! Coitado é de mim que não escolheu casar com ele mas tenho que conviver todos os dias com aquela bola vermelha, pai da gula e avô da fadiga!!!
O cara se levantou, pegou um cigarro, foi pra janela da lavanderia, um clique e logo após o cheiro de nicotina invadia a cozinha.
-Porra Ney!! Fuma lá fora, quantas vezes vou ter que falar que não suporto esse cheiro de cigarro?
-Que saco Valéria! Você já me viu reclamando desse cheiro de fritura de pastel que empesteia essa cozinha todos os dias??
-Os pastéis eu faço pra ganhar dinheiro e ajudar na comida que está na tua barriga... tu não compare esse tipo de coisa...
-Por que você não arruma outro lugar pra fritar esses pastéis? A Paula já falou que aluga por um preço legal pra nós aquele sobradinho no centro, você pode abrir uma pastelaria...
-Pastelaria Ney?? Pastelaria??? Fala sério, nessa vida fudida de vendedora de pastel, abrir uma pastelaria é quase impossível. Ainda mais com seu serviço que não ajuda...
Se o silêncio pode ser uma das melhores saídas, quando chegava nesse ponto ambos utilizavam dele pra se refugiar. Não que isso ocorra com tanta frequência, mas a vida vem quebrar a rotina em devaneios onde a dificuldade espanca a reflexão em segundos silenciosos capazes de tornar um simples intervalo de tempo em uma eternidade necessária para chorar calado.
Sem dizer nada, o cigarro foi jogado pela janela, as chaves pegas na mesa e o capacete na estante.
A porta se abriu, e sem que a mulher visse, ele ficou parado no vão entreaberto, e no silêncio acariciou a pessoa com quem dividia sua rotina, suas angústias e pensou que por mais impossível que fosse ter uma pastelaria ele teria. Naquele momento, por segundo que fosse ele pode sentir a responsabilidade criando raízes no seu interior, cativando suas vontades em prol de um outro alguém.
A porta se fechou e a próxima parada: A Pastelaria.

Abalo

Sozinho meu interno se sente
o que se sente
nada muda se sente
mas sente
Jogado na consciência humana
se sente, e nada muda
mas sente
Sendo um, se sente
a natureza inteira
ou tal forma sem forma
sem nada, mas sente
Num ciclo aleatório
me perde, nada muda
mas sente

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Cicatriz Eterna

E me tenho agora de uma maneira tão completa que chega a derramar, vazando em partes perigosas. Me sinto tão vida agora que nem existo mais em mim, só por mim mesmo. Mas tem todo um passado nisso tudo, as memórias me encantam porque armazenam as realidades criadas, nas ilusões de cada dia. Vez em quando é como caminhar na areia, acompanhado de uma música que remete resguardo. Um caminhar silencioso, sentindo o pulsar gerando vibrações no vazio de mim. Guardado em arrepios, o passado retém algo que posso nomear de alma. Porém sendo vida nada disso me contém, e nada posso conter. É esse meu conflito maior, querer sentir e vibrar, mas não poder ser vida em plena forma de ser. Retenho a vida assim, uma enorme força monstruosa sem termos, sem noção, sem verbo, sem definição alguma. A vida não caberia por completo em mim, não na minha forma de consciência.
O estranho é que de vez em vez eu e meu interno nos esbarramos, ai meus conflitos vão se tornando lições, coisas minhas que eu criei pra poder suportar essa loucura de ser vida impossível de perfeição, pra aprender a viver sendo ser humano. Não fui sempre assim, nunca havia refletido tanto sobre meu tamanho, minha importância, minha necessidade e o porque delas, se fariam alguma diferença nessa imensidão. Eu estive alienado disso praticamente a vida inteira.Não quero dizer que o que penso seja mais certo do que pensava antes, mas tenho comigo uma forma de amadurecimento alterando minhas idéias e aprendendo com todas.
Um dia a casa cai, um dia tudo se transforma e a vida continua, no seu lugar, sem termos, sem verbos, sem nada.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Respostas ao vento


Isso é típico da reflexão de vida em imensidão, em ilusão criada por nós para suportar o peso de ser vida em tamanha dimensão. O universo próprio é um labirinto sem pé nem cabeça,imagina o que somos inseridos nisso? Ficamos completamente perdidos se passamos a viver sendo vida em essência natural, ser vida apenas por vida e não apenas por ser humano. Mas é bom refletir a imensidão e descolar do real, ou talvez da ilusão que crio a todo instante sobre mim. Há um sentido nisso tudo.
Rangel Cabral

sábado, 12 de maio de 2012

Escravidão do tempo

Mas não basta a minha aparência, por dentro é que existo e ardo. É por dentro que vai tudo e onde se forma qualquer coisa. Não me basta apenas sua aparência porque o que me falta é outro dentro, outra fortuna com a mesma essência que a minha. Não me bastaria apenas sua voz, se o que sai de dentro não faz mudar o interior do meu físico prestes a se perder a qualquer momento e sobrar o que o mundo mais se esquece de enxergar. Não! Eu dependo disso, infelizmente. Algo nisso tudo onde coexistimos me acorrenta eternamente nessa escravidão de ter que acreditar em algo, seja apenas em mim ou num deus, mas acreditar. Ao mesmo tempo me confronto com a mente me arregaçando pra longe das correntes, nada rui e permaneço na inércia crua de estar flutuando acorrentado. Só a nossa aparência não bastaria pro meu ego poderoso, arrogante, buscando sempre a perfeição, não a sua perfeição externa, nem a minha, falo da vibração me fazendo estremecer em pensar nisso tudo. A perfeição existe, mas ela é momentânea.
Vivo assim, talvez felizmente, talvez infelizmente, tudo depende de como anda minha imaginação, de como vai meus sentimentos e por onde ando. E vou indo por ai, obrigado a voltar sempre pro meu corpo, pro meu interior e evitar de me perder do lado de fora. Não consigo me acorrentar mais profundo nisso, apenas se for valer a pena,não apenas pela aparência. O que o corpo precisa é de um canto, e o que a mente trás com tudo isso é o conforto. Só a aparência  não me bastaria.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O triste fim de tudo, no qual nada começou

Pra provar o contrário do que se pensa
deixo aqui minha concepção infinita
Da minha mente nasce o que eu quiser
e pra existir, se encontra dentro
é simples, é em mim

Pra reconhecer em mim o infinito
é preciso constante regeneração
assim como o universo
em perfeita expansão

E se de fato alguma coisa é real
já deixa de ser natural
onde tudo é termo
Se de fato algo existe
é porque me encontrei
dentro de mim mesmo

Mas no fim é nada
o nada é fim
e tudo é termo

Vórtices de um louco normal

Estranho como tenho uma ligadura com o passado,com as lembranças. Confuso como sou por mim mesmo, pelas minhas ideias, pelos meus pensamentos. Diferente como pensar assim, tão distante de mim, num reflexo ausente, porém sensível. Rápido como me desfaço num segundo, e me recupero em outro. Difícil como arrancar tudo e receber outro todo de volta. Bonito como sou parte de um todo criado pela consciência humana, e no resto não sou nada. Intrigante como sou vida, mas a vida não me é, como sou pela vida. Arrogante quando nada é meu, mas tudo eu sou numa verdade infinita na qual percorre minha alma, me beija e vai embora deixando rasgado minhas razões de querer ser tudo, ao mesmo tempo, e não poder ser nada mais além de mim mesmo. Triste quando sou um cisco, um caco,um grão,um farelo. Alegre como quando me preenche com pensamentos de força, de acaso, a alma. Irônico quando posso perceber tudo, saber de tudo e não poder ser nada mais além de mim. Concluído quando tudo isso me retém a mim, e ao acaso que me colocou na linha do tempo, distante de mim mesmo, impedindo-me de qualquer apego onde nada se estabelece com total certeza. Vida quando retorno a mim num instante, de repente, no perdido do universo no qual o nada é tudo que me resta.